Inutilidade e cia.- Nada sobre Nada

Friday, March 09, 2007

A vida , história e trajetória da pessoa destinada a ser a mais linda do mundo

No dia 10 de fevereiro de 1988, dona Eliane sentiu dores e foi levada ao hospital. Lá, o doutor pediu que abrisse as pernas e, do antigo pequeno buraquinho, saiu aquela que seria a mais bela pessoa do mundo. Claro que no momento ela não era a mais bela pessoa do mundo, apenas um bebê careca, cheio de gosmas que poraí chama de placenta, e uma cara de joelho.
Um ano se passou e não mudaram muitas coisas. A futura mais bela pessoa do mundo continuou com cara de joelho e belos cachos negros na cabeça. Com apenas um ano de idade ela já demonstrava que seria uma comunicóloga ou comunicadora, manifestando sinais de que pretendia falar. Seus pais gostavam de tirar fotos dela no banho, porque as dobras de suas gorduras escondiam qualquer parte que poderia ser considerada promiscuidade por pessoas maldosas.
Mais algum tempo se passou. E feiosinha futura mais bela pessoa do mundo cresceu um pouco, já falando coisas sem sentido. Ela não aprendeu a andar nem a engatinhar, mas se arrastava pelo chão com incrível elasticidade, com as pernas viradas para trás em um ângulo estranho que preocuva os pais. Ela também não mamava na mamadeira, apenas chupava o polegar esquerdo, enquanto segurava a orelha direita gelada com a mão direita.
Aos quatro anos, os pais da criança perceberam que quando ela olhava para um lado, seus olhos miravam outro e acharam justo leva-la ao médico. Assim ela começou a usar óculos gigantes e cor de rosa e tampões. Tudo deixando-a mais feiosinha, mas o seu destino ainda era ser a pessoa mais bela do mundo.
Nessa época ela passou por uma crise de necessidade de atenção, que fazia com que, quando algunas amigos dos pais fosse à sua casa pra uma visita, ela se vestisse com a fantasia do lobo mau que seu irmao mais novo tinha e saísse correndo atrás das visitas. Isso lhe rendia algumas palmadas, mas nada que a convencesse a não repetir o ato outras vezes.
Por esssa época, ela já frequentava a pré escola e aprendia a ler algumas palavras e escrever outras.
Aos seis anos ela ganhou um óculos redondo gigante, com armação vermelha com bolinhas coloridas da turma da mônica e resolveu fazer a festa de aniversário no parquinho da escola. Esse ano foi de extrema importância na sua vida. Foi quando a mãe ensinou que a verdade nem sempre era legal, pois ela havia cobrado de um coleguinha o presente de aniversário que ele esquecera de dar para ela, além de brigar com a vó no natal, porque queria boneca e não um balde com pazinhas.
Ainda nesse ano, ela aprendeu a ler. Leu "cachorro do morro e gato do mato" , "as aventuras da fada luciola" e outras obras muito bem ilustradas que fizeram ela perceber o quão maravilhoso era o mundo além da realidade, coisa que veio influenciar em toda a sua vida.
Na época, era costume brincar com os vizinhos da rua. Brincavam de pic, duro ou mole e mamãe da rua. Uma das vizinhas, uma loira mais velha, chamava-a de lesma, porque ela não tinha muitos dotes para as atividades físicas e ficava sempre para trás. Tamanha era essa humilhação que, pela primeira vez, a futura pessoa mais linda do mundo sentiu ódio. E que ódio! A ponto de ela entalhar o nome da loira no móvel de casa para os pais acharem que havia sido a dita, além de pitna rgalinhas com hidrocor nas paredes de casa, também pas os pais acharem que a dita cuja havia feito. Bem, os pais não acreditaram e ela ficou de castigo. Isso só serviu para aumentar o ódio.
Sem esquecer de citar que, durante todos os períodos supracitados, a pequena tinha constantes crises asmáticas que exigiam idas ao hospital com inalação. Essa era a herança de seu pai.
Aos sete anos ela foi para a primeira série e passou a chorar todos os dias, porque era muita tarefa e sua mão doía. Sua mãe comeu-lhe o rabo e ela sossegou, mas sua melhor amiga também achava as aulas pesadas e insistia em vomitar na sala, para ir embora.
Os dois anos seguintes não constam em sua memória. Mas a quarta série aparece como o ano em que comprou um bixinho virtual, posteres e cds das spice girls, e descobriu Titanic e Leonardo di Caprio, que enfeitava as paredes do seu quarto. Nesse ano ela também paquerou um menininho de sua sala. Mas ainda não era a pessoa mais linda do mundo, o que atrapalhava um pouco as suas tentativas de conquista. Inclusive, hoje ela acha que seus métodos de conquista do período não eram muito eficientes: ficava com a boca aberta e pdia para o çpaquerado fazer cesta com a borracha na sua boca. Ela precisava aprender sobre sedução.
No ano seguinte mudou para um colégio novo e entrou no ginásio. Também nesse ano ela descobriu o fabuloso desenho animado Pokémon. Passou-se um ano normal, sem muitas novidades. Tinha três ou quatro amigas, aversão a meninos e parecia uma bola, pois fazia tratamento com cortizona para curar a asma.
Ao longo desse ano ela deocorou o nome dos 150 pokemons, zerou o game do gameboy e assistiu a todos os episódios da animação.
Sua paixão por Pokemon cresceu a tal ponto de, no aseguinte, considerar que não era mais uma pessoa, mas um Pikachu, na verdade, o Pikachu original do Ash.
Esse foi, sem duvida, o pior ano da sua vida. Enquanto batia tazos com os meninos da sala, corria pelos corredores do colegio gritando pikachu e preencia todas as losas com sua máxima "Abaixo Digimon, assitam Pokémon", as meninas riam dela. Era motivo de chacota entra os outros que entravam na adolescência.
Tanto que uma das colegas deu uma festinha onde rolaria música e beijinhos e não convidou-a, " não chamem a Helena, ela é muito criança". A pobre futura pessoa mais linda do mundo ficou muito triste e quis mudar de escola, mas era meio do ano e a mãe achou incoveniente.
Um mes depois ainda aconteceu outra desghraça: ela começou a perder sangue. Enquanto a mãe dizia que era uma mulherzinha, ela chorava porque não poderia nadar sempre que quisesse e teria de usar as malditas fraldas de adulto.
Finalmente o ano maldito acabou. Ela foi para um novo colégio onde havia outras meninas que também perdiam sangue mas não se consideravm mulherzinhas. Elas passeavam com seus cachorros, amarravam seus cadarsos umas nas outras, iam ao cinema, jogavam stop e cantavam e pulava por aí. Tudo isso concomitantemente à perda do víciu por pokémon e à aquisição do vício por Harry Potter, Dragon Ball e Sakura Card Captors.
Nesse ano a menina-moça descobriu o amor. Apaixonou-se por um dos amigos, muito bonito e bobo, a sua cara. Mas ela era a confidente dele e sabia das suas outras paixõs. Pobre coitada. Ela foi a uma nutricionista e começou uma dieta. Perdeu muitos quilos em pouco tempo e já era capaz de tomar um sorvete de limão, ao invés de um de chocolate.
O ano seguinte entrou. Ela não tinha mais muita vontade de comer e estava macérrima, tirando as gigante protuberâncias que se formavam sob seu pescoço e a obrigavam a usar sutiens de tamanho g.
Ela fez um icq anonimo com o qual se declarou para seu amor. Ele descobriu que era ela. Ela o pediu em namoro e a relação durou seis meses. Inclusive, seu primeiro beijo foi nojento. Teve anemia e precisou tomar um remédio para abrir seu apetite, o que tornou-a a comedora voraz que é até hoje.
Também entoru para a banda da escola. Tocava bumbo, um instrumento maior que ela, com o qual se divertia e tinha dores nas costas. Ficou feliz quando o Brasil ganhou a copa e desistiu de ser arquóloga nesse ano. Ela e uma amiga também descobriram que era super sorridentes, felizes, alegres e saltitantes e saiam pelo pátio da escola saltitando, o que fazia com os demais as considerassem, no mínimo, estranhas.
Foi ainda na oitava série que leu Harry Potter 4, gravou todos os episódios de Sakura e afogou numa competição de natação.
No final do ano foi para Porto Seguro com a sala, já solteira. Enquanto os colegas bebiam e beijavam, ela se empanhava em tomar o maximo possível de energético, não dormir, andar pela cidade com uma fantasia de índia e aprender todas as coreografias de axé. Quando chegou da viagem, dormiu 17 horas seguidas, para repoir a semana toda.
No primeiro colégio teve sua primeira manifestação emo. Descobriu o rpg online, fez muitos amigos virtuais, tornou-se wicca e quase esquece que existia um mundo fora do computador. Arrumou um namorado virtual (que mais tarde descobriu preferir pessoas do mesmo sexo), e escrevia posts pseudo suicidas num blog. Ao mesmo tempo, mandava cartas qulometricas para os amigos virtuais, falando de besteiras e dos seus personagens de rpg.
A febre passou no final do ano, quando se desligou desses amigos e resolveu voltar ao mundo real. Foi nessa época que experimentou as batidas nas festas de quinze ano e, muma pizzada da sala, enxeu a cara de vodka pela primeira vez, e teve uma manifestação ecana, agarrando um de seus colegas.
Após a ressaca e o remorso, percebeu que era uma delícia ficar mais sem noção e tornou um hábito o consumo alcoólico. Todos os finais de semana ia com as amigas para a boate da cidade, tomava um hifi e saia por ai rindo e falando besteiras.
Nessa época conheceu um grupo de amigos. Ficou por um mes com um deles. Depois de dois meses ficou com o melhor amigo dele, que nao quis saber dela, mas por quem ela se apaixonou perdidamente. No meio do ano, ficou muito amiga de outro dos melhores amigos do grupo. Tao amiga que começaram a namroar. E ela começou a gostar do anmoro pq saindo com o atual, podia encontrar o outro, por quem era apaixonada. Aguentou dois meses assim, mas, finalmente, desistiu da sua sacanagem, terminou e voltou a viver sue amor platonico.
Durante os dois anos, primeiro e segundo colégios, ela sentia-se deslocada. Tinha apenas umas amigas, com quem se divertia muito, mas que não gostavam daquilo que ela gostava, e ela odiava a cidade, onde tudo o que era diferente era condenado, onde tudo aquilo que as pessoas não tinham coragem de fazer, mas morriam de vontade, era condenado, e onde todo mundo falava de todo mundo, na maior hipocrisia. Ela criou o sonho de ir pra cidade grande.
No terceiro colégio a vid acontinuou... Ela se integrou um pouco mais na sala. Organizando a festa de formatura, msotrando seu futuro lado rpéio (huhuhu). Entre um porre e outro, passou o ano tranquila. Todos os dias trancava-se no quarto e dormia, dizendo para a mae que havia estudado. Mas estudou também, movid apelo impulso de mudar de cidade. Em agosto, começou a ater de preencher fichas. Sem saber o que queria da vida, só sabendo qeu amava ler e escrever, colocou jornalismo na fichinha da fuvest. Mas sabendo que amava contas, colocou engenharia na ufscar e na unicamp.
O final do ano passou com muitas viagens e chocolates, ou seja, vestibular. E também com o seu primeiro porre d everdade, quando saiu falando que odiava todomundo, confessou que era lésbica (coisa que nem ela sabia antes e que descobriu depois ser uma mentira de bebada) e tomou glicose.
O ano seguinte começou com mais vestitours e uma viagem para a praia. E um dia lindo, quando viu seu nome um lista na internet.
A melhor semana da sua vida, quando descobriu pessoas com quem se identificava e que passou a amar mais tarde, quando descobriu que era um bolinho de arroz, e quando descobriu que teria pelo menos quatro anos pela frente na cidade grande, entre pessoas incríveis e com direito a muitas bebedeiras.
O resto da história vocês ja sabem... Ainda não se tornou a pessoa mais linda do mundo, mas ela sabe que esse é seu destino.

(esse texto foi originalmente escrito e enviado para o grupo de emails da minha sala para passar o tempo de quatro horas sem fazer nada pelo qual ganho 340 reais por mes)

1 Comments:

  • At 11:13 AM, Anonymous Gaby said…

    Tha vendo q eu comento td e to virando assídua aqui!! ahhh brigado por ter publicado esse texto aqui! c nuam ia te encher mto pra me mandar por email!

     

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