Inutilidade e cia.- Nada sobre Nada

Monday, August 06, 2007

Interfone

Com um sapato no pé e o outro na mão, entrou em casa. Bateu a porta com força e trancou rapidamente, como se girar chave com velocidade fosse fazer com que o que aconteceu ficasse lá fora. Sentou no sofá e tirou o outro pé do sapato, devagarinho, pra compensar a pressa com que teve de tirar o anterior. Enquanto olhava a meia rasgada no pé direito, ouvia o quase silêncio, apenas o chaveiro batendo na porta, devagar e ritimadamente.
Agora ia ficar sozinha, descansar, livrar-se da agonia de uma entrevista de emprego seguida de uma quebra de salto de sapato no meio do caminho pra casa.
Estava no meio do raciocínio sobre como odiava saltos e entrevistas quando o silÊncio do chaveiro na porta foi quebrado. A campanhia tocou.
Sentindo a o tornozelo doer, caminhou até o interfone e segurou-o junto á orelha, sem dizer nada. O porteiro falou para o nada, ele estava lá embaixo, podia subir?
Ele era uma ótima companhia, um ótimo amigo, mas ela estaca mau humorada. Será que ele deveria suvbir?
Podia subir? O porteiro queria saber. Podia, sua vontade de gritar com alguém foi mais forte do que a vontade de ficar sozinha.
Ele chegou e puxou a maçanete, como sempre fazia. Mas dessa vez a porta estava trancada. Ela tinha ficado parada ao lado do interfone, pensando em nada. Voltou a si e abriu a porta.
Ele trazia um DVD, pipoca de microondas, um grande sorriso e um abraço.
O mau humor dela passou.

Saturday, July 28, 2007

Lá no fim do mundo

Quando me dizem que algum lugar é longe, eu penso que é longe e não absurdamente distante.

Quando um amigo me convida para ir à sua casa na Zona Leste, numa tal de Guaianases,a caipira pensa que vai levar uma hora e meia pra chegar no local.

Doce engano. Quase três horas de carro. Num momento chegamos no fim do mundo, um abismo que dava num nada (na verdade, parecia ter algo lá embaixo, mas estava escuro e não deu para ver), viramos à esquerda. E eu que pensava que nunca veria uma aplicação prática para a expressão "no fim do mundo, virando à esquerda". E ainda rodamos um bom tanto.

Vi um pedaço de são paulo que não conhecia, fechada no meu círculo consolação, paulista, usp e rebouças. Entendi o que dizem da Zona Leste. Várias favelas, os tais dos "manos".

Manos esses, que, na verdade, eu vejo também no meu mundinho, mas em menor quantidade. Eu realmente tento não ter preconceito de tipo nenhum, mas é realmente difícil para mim quando vejo uma pessoa com cara de "mano" (e eu não sei ao certo explicar o que seria isso,talvez aqueles garotos com roupas largas, um ar meio desleixado, o boné) meu instinto me faz temer. Sei que é feio, errado, mas é difícil superar esse preconceito. Isso me faz pensar: eu temo esses rapazes, porque, em geral, garotos desse estilo, costumam ter origem pobre, pouco ou nenhuma educação e uma noção de que ninguém se preocupa com eles e de que justiça é uma coisa que cada um faz. É justo para eles, usar da força para tirar de alguém que tem, algo que eles querem ou precisam.
Na verdade, não são culpados. São apenas fracos. Fracos, por se encontrarem em uma situação difícil e optar pela saída mais fácil, mesmo sabendo que ela é errada. Porque muitos deles sabem que é errado. São vítimas da sociedade, vítimas do sistema, vítimas da pobreza, vítimas enfim. Mas por que existem vítimas que conseguem encontrar outras saídas? Por que outras vítimas optam por não descontar em inocentes o que acontece a eles?
O meu preconceito continua. Eu queria poder ver os manos por aí e passar alegremente ao lado deles, mas o conhecimento de que uma boa parte deles não vai permitir essa minha passagem tão alegre, me faz desviar o caminho.
Sinto medo, dó, pena e uma incapacidade de ajudar. Deixar com que me roubem não vai mudar suas vidas, muito pelo contrário. Fazer com que sejam punidos, muito menos.
Queria poder realmente ajudar esses manos e poder passar ao seu lado sem sentir medo. A oslução é aquela velha história de cortar o mal pela raíz, de acabar com a pobreza, gerar igualdade, educação e blá blá blá.
Penso nisso tudo e acho que vai ser pouco provável que eu supere esse medo preconceituoso que tenho em vida. Tenho vergonha disso. Mas o que eu posso fazer? (a pergunta que faço me relação a todos os problemas que há no mundo)

Monday, July 16, 2007

Método de entrevista

Na busca por uma renda um pouco menos pior que a minha atual, já passei por várias entrevistas de estágio. Tem todo tipo de entrevistador, é óbvio, mas o mais idiota foi o meu de hoje. Não que o cara fosse idiota, mas ele é da FEA e achou que um modelo pronto de entrevista era a melhor coisa a fazer. Isso foi bem idiota.
Por que perguntar a alguém "por que você acha que eu deveria te contratar?"? É estimular o pobre estudante a mentir. Eu, sinceramente, acho que ele deve me contratar porque eu quero ganhar mais. Mas vou responder isso pra ele?
"Diga três qualidades e três defeitos seus."
Primeiro: é muito constrangedor falar minhas próprias qualidades. Segundo, o que eu realmente acho que é defeito em mim, eu não vou falar pro cara que eu quero que me contrate. Daí eu minto de novo...
Preferiria muito mais uma conversa descontraída. Por isso que a RH da J. Jr. acaba de criar o novo método de entrevistas que passará por uma etapa de teste na empresa: entrevista no buteco. É conversando, bebendo e comendo livremente que você melhor conhece as pessoas.

Tuesday, July 10, 2007

A Primeira Comunhão

A gravatinha era bem estranha, aquele lacinho, enforcando, mas tinha que usar, porque assim ele parecia um homenzinho e a mãe ia gostar mais dele.
Era o seu grande dia. Sua Primeira Comunhão. Ele lembrava da primeira comunhão do Paulinho, toda aquela comilança, a família inteira reunida, dando parabéns pra ele, dando presentes e, o principal, a mãe emocionada, falando que ele agora era um homenzinho.
Agora ia ser igual. Sua mãe ia colocar ele no mesmo nível que o Paulinho e toda a festança ia ser pra ele, porque seria um homenzinho. Tudo bem que ia ter que usar aquela roupa desconfortável e passar horas numa missa mais comprida que a normal, mas ele podia passar horas na missa, era só inventar uma história para ficar criando na cabeça.
Nesse dia, já sabia até qual era a história: ele era um homem da casa e o Paulinho ia se enrolar todo na hora de ajudar a mãe a por a mesa, daí ele ia chegar, todo pomposo e por a mesa muito melhor do que o Paulinho nunca tinha posto. Daí a mãe ia falar "Ah! Você é meu homenzinho!". E depois a história ele ia continuar durante a missa, com sua vida de homem, em que ia mostrar que era bem melhor que o irmão mais velho.

A damília toda tava ali. Até o pai tinha penteado o cabelo. Os quatro irmãos mais novos não paravam de fazer barulho. Normalmente ele faria com eles, mas agora era um homenzinho.
Madrinha e o Padrinho tavam lá, do lado da vó Leida e do vô Julio. Tava também a tia Lucinha, com o tio Pedro e as filhinhas chatas.
Foi todo mundo junto, apé pra igrejinha, uma festança! Mas ele foi sério. A barriga pulando de medo de alguma coisa dar errado e a mãe preferir o Paulinho. Paulinho, inclusive, tava todo metidinho, tendando cuidar dos irmãos e mostrar que, não importa se ele comungasse ou não, ainda era o homenzinho.
Foi bem chato. Apesar de ter a história pra criar, tinha que segurar a vela e prestar um pouco de atenção para falar as coisas certas na hora certa. Errou uma vez, mas tinha certeza de que a mãe não tinha reparado.
Depois de séculos, depois de comer uma coisa ruim com vinho, tudo acabou.
Todo mundo o abraçou. E ele sorria, asnsioso pelo abraço da mãe.
"AH! Meu filho! Parabéns! Você tava lindo" Disse ela, apertando ele contra os peitos grandes. Mas nada dela falar o que ele queria ouvir.
Foram pra casa, o almoço foi farto. Tinha frango, macarrão e porco, e tinha cural de sobremesa. Um luxo!
Mas a cada minuto que a comemoração se aproximava do final, ele ficava mais triste. A mãe não tinah dito que ele era o homenzinho.
A comida acabou, os parentes foram embora, a mãe foi arrumar a cozinha, toda sorridente, cantando. E ele ficou cabisbaixo, num canto da sala.
No começo da noite, a mãe sentou-se ao seu lado.
"Que houve?"
"Nada"
"Então precisamos ter uma conversa. Você sabe que agora você pode receber o corpo de cristo, que dessa vez você escolheu seguir Deus e então, tem que agir assim. Vai aprender direitinho o que fala a Bíblia e viver do jeitinho que Jesus manda. Isso é o começo da vida de homem."
"Mas pra que isso? Eu já sou um homem!"
"Oras! Pra que você achou que fosse a comunhão? Pra mostrar que você quer ser igual Jesus!"
"Ah... achei que era pra mostra que quero ser melhor que o Paulinho..."

Sunday, July 08, 2007

Anda difícil...

- Mãe, preciso de grana pra sair.
- Que pena.
- Empresta, vai.
- Empresto... Mas quando você me paga?
- Assim que der. Você sabe né, a situação anda difícil...
- É, eu sei, anda difícil há quase 18 anos. Anda difícil desde que eu comecei a engordar quilos e meus peitos incharam e caíram. Desde que eu senti aquela dor infernal pra passar uma crianá por um micro-buraco, deslocando minha bacia. Andava difícil já quando eu tive de largar o emprego pra poder amamentar, limpar, cuidar, lavar roupa. E continuou difícil quando eu continuei flácida e gorda. E não melhorou quando não podia mais sair com os amigos ou fazer sexo todos os dias, porque tinha uma criança do lado. Continuou difícil quando eu acordava de madrugada pra amamentar e dar colo. Ou quando eu queria ler e tinha alguém gritando e chorando do meu lado, tentando chamar atenção, correndo pelas escadas e fazendo tudo o que era perigoso. E depois tinha de aguentar toda a turminha desmontando a casa, pra ficar horas limpando. Sem falar das festinhas no colégio... E não esqueço da adolescência. Crises, namoricos, se afastando de mim e eu preocupada sem receber uma notícia. Daí volta a me procurar pra pedir dinheiro e sair, ficar fora horas, enquanto eu espero acordada, morrendo de medo de tudo, pra buscar gente mau humorada na rua. E eu continuo gorda e flácida e não fazendo sexo todos os dias... É, a situação anda difícil...

*****Por isso eu não quero ser mãe. Porque sei que meu filho ia me odiar e um dia eu ia querer jogar na cara dele tudo o que passei por ele...

Pensando na vida Pós-Potter

Dentro de 12 dias, mas especificamente 11 dias e cinco horas, sai o sétimo e último livro da série do Harry Potter, "Harry Potter and the Deathly Hallows"(HP e as Insígnias Mortais, em português).
Já reservei meu exemplar, edição britânica, da Bloomsbury, capa adulta (a imagem tá falha, mas dá pra dar uma olhada). Vou poder retirar às 20h do dia 20, na livraria cultura da Paulista, onde vai haver programação especial a partir das 17h.
A cada dia que passa a ansiedade aumenta. Surge uma grande vida: há vida após o Potter? Como eu vou passar meus anos sem ficar na espectativa do próximo livro?
Meu apetite pelo final faz com queira devorar o livro em algumas horas. Mas meu medo de viver sem o Harry faz com que queira ler beeeeem devagar, como quando eu derreto um chocolate na boca bem lentamente pro sabor durar mais.
De um jeito ou de outro e independente do final, é fato que muito em breve já terei tomado todas as doses de Harry Potter a mim pertinentes. Não só eu como todos os outros fãs por aí pelo mundo, ou mesmo na ECA, na cama ao meu lado, enfim...
Por isso, acho que devemos pensar em formas alternativas de sobrevivência pós-potter.
Tive uma idéia e acho que foi genial. Simples: vou usar um feitiço de obliteração em mim, daí vou esquecer a história dos livros. Releio todos eles, me oblitero de novo e leio de novo. E assim, vou ter harry potter pro resto da vida.
Claro que vai ter o efeito colateral de eu não lembrar do resto da minha vida... mas fazer o quê?
Prefiriria sugestões sem efeitos colaterais, mas não consigo pensar em nada...

Friday, June 29, 2007

É desejo demais...

Não bastasse o impulso sexual incontrolável, as mulheres que sofrem de ninfomania ainda têm de lidar com o preconceito que cerca o distúrbio.


O desejo sexual feminino vive cercado de preconceitos. Mesmo com toda a evolução na relação entre sexos e uma relativa igualdade, ainda é comum ouvir críticas às mulheres que desejam muito sexo. Se uma mulher quer transar mais que seu parceiro, ela é logo taxada de ninfomaníaca. Mas será que as pessoas realmente sabem o que é a ninfomania quando usam esse adjetivo?

Ninfomania é o nome pelo qual é conhecido o Impulso Sexual Excessivo, distúrbio sexual que se caracteriza pela necessidade de sexo em demasia. Nesse assunto, no entanto, não existe uma definição precisa do que seria excessivo. Segundo a Dra. Carmita Abdo, fundadora do Projeto Sexualidade do Instituto de Psiquiatria da USP, pode ser considerado como excesso todo tipo de atividade que compromete o cotidiano, retirando tempo e energia das demais atividades.

É exatamente isso que acontece com a ninfomaníaca; ela sente uma necessidade incontrolável de manter relações sexuais para obter prazer, algo que pode ser comparado ao vício por álcool. As mulheres afetadas pelo distúrbio querem fazer sexo quase o tempo todo, muito mais do que as outras mulheres, e não conseguem controlar essa vontade.

As pessoas com o distúrbio manifestam-no desde antes de ter contato com a prática sexual, na adolescência, quando têm um interesse pelo sexo maior que o das outras meninas. As ninfomaníacas também tendem a se masturbar com uma freqüência acima do normal quando estão em situações em que não conseguem ter relações com um parceiro.

É interessante notar que quem sofre de ninfomania não busca o orgasmo, mas simplesmente o sexo por prazer. Muitas dessas mulheres, inclusive, encontram maior dificuldade para chegar ao ápice do prazer sexual, pois a realização do sexo simplesmente por sexo exclui elementos que contribuem para o orgasmo, como o clima, o sentimento pelo parceiro, a intimidade e descontração. No entanto, é errado dizer que a ninfomania gera anorgasmia, ou seja, a impossibilidade em atingir o orgasmo, ou está ligada a ela (como pensava a psicanálise antigamente), pois as ninfomaníacas, em geral, conseguem atingir o orgasmo quando a situação ajuda.

O Impulso Sexual Excessivo é doença e tem tratamento à base de remédios e psicoterapia. A mulher que notar um descontrole nos impulsos sexuais deve procurar um psicólogo ou psiquiatra, sem constrangimento. Suas causas ainda são controversas, mas é conhecido que motivos psicológicos mesclados a algum distúrbio físico podem provocar a ninfomania. Essas causas físicas raramente são hormonais (excesso de testosterona, o hormônio que estimula a sexualidade), não se sabe ao certo o que é, mas alguns pesquisadores afirmam que podem ser problemas nos neurotransmissores .

Muitas das mulheres que sofrem de ninfomania acabam tendo problemas em seus relacionamentos, pois os parceiros não conseguem acompanhar seu ritmo. Algumas procuram vários homens e têm alta rotatividade de parceiro, devido à dificuldade de manter um relacionamento com alguém que a satisfaça, o que acaba resultando em risco de gravidez indesejada e DSTs.

Os problemas causados pela doença, no entanto, podem ir muito além, afetando a vida profissional da mulher, devido ao excesso de atividade sexual que causa cansaço, atingindo seu desempenho no trabalho. Sem esquecer da angústia e sofrimento pelos quais passa a mulher ninfomaníaca, nessa busca incessante por prazer.

Há casos de mulheres que, sofrendo do distúrbio, e sem saber que ele poderia ser tratado, optaram por se prostituir, fazendo com que sua compulsão tornasse-se rentável. Algumas enfrentam problemas no trabalho por manter relações com vários dos colegas.

A questão é tratada como tabu, inclusive pelas próprias mulheres que sofrem da doença. Existe um certo preconceito em relação a mulheres que têm desejo sexual excessivo e, quando expressam seu distúrbio, podem ser tratadas pejorativamente, como safadas. Devido a esse preconceito, elas têm vergonha de assumir e procurar tratamento.

Não se sabe ao certo quantas mulheres sofrem de Impulso Sexual Excessivo; a Dra. Carmita atribui essa falta de dados ao preconceito que faz com que boa parte delas não procure tratamento e não se identifique como atingida pelo distúrbio. Mas o número de mulheres se tratando é muito pequeno, menos de uma em cem mulheres. A psiquiatra compara essa quantidade ao número de mulheres com o distúrbio oposto, a falta de desejo sexual, que atinge uma em quatro mulheres e tem muito maior procura por tratamento.

Os homens também sofrem de Impulso Sexual Excessivo, de forma semelhante, e no caso masculino, a doença é conhecida como satiríase. Uma curiosidade é que ambos os nomes, ninfomania e satiríase, vêm de personagens da mitologia grega: as ninfas, espíritos divinos, normalmente associadas à beleza, e sátiro, o ser metade homem, metade bode, que fazia parte dos cortejos de Dionísio, o deus do vinho e das festas.

(Eis a minha matéria pro trabalho final de "Edição de texto em Revistas", uma reportagem supostamente para a revista Cláudia. - e a prova científica de que não sofro do tal distúrbio! Ufa! hehehe)

Monday, June 04, 2007

Helena Dias e a Geleca Filosofal

Hoje eu ganhei uma geleca (aquela gosma que vc com certeza já usou pelo menos uma vez qdo criança pra fingir que era meleca de nariz, mesmo sabendo que ngm acreditaria).
Além de fazer meus olhinhos brilharem com o prazer do reencontro da infância nunca abandonada, a geleca me fez refletir. (eu tenho um lado adulto também!)
A geleca me fez filosofar (ou fisolofar, como eu acho bem mais legal falar) sobre presentes. Presentes são legais, não é mesmo?
Ah! Você, pessoa que lê esse post (pq tenho mtos leitores, mtoooos), pensará "demorou pra percerber isso, bobona!" e eu, sábia como sou, responderei "tem muito mais por trás, e sem sentido duplo".
Quando eu era cem por cento criança, não só na mente, mas também fisicamente (bons tempos em que eu não usava sutian e meninos eram aquelas coisas chatas que me causavam vergonha...), nesses tempos, eu adorava ganhar presentes, porque criança não tem a mentalidade de retribuição e valor.
Daí eu cresci, comecei a usar sutian e a achar que meninos podem ser coisas chatas com outras utilidades, e também comecei a não gostar de ganhar presente, ficar constrangida quando isso ocorre. Por quê? Porque eu me sentia na obrigação de retribuir e achava que presenter deviam ter valor material.
A geleca hoje me fez ver que não é bem assim. Que é muito legal ganhar um presente que não custa nada (pelo menos as gelecas eram baratas no meu tempo) mas que tem muito a dizer. A gosma verde diz que as três coisinhas (Fe, Rosa e Lu, gordinhas!!!) me acham criança (só elas!). A gosma verde não tem muita utilidade prática, mas me diverte e me faz sentir uma sensação de sentimento (uau!! eu escrevi isso?). É uma coisa que lembra algo de mim e que me faz lembrar delas.
Enfiando minha mão na massa fria e divertida, conclui que um presente não precisa ter valor ou utilidade, mas precisa fazer lembrar de quem deu. É uma forma de demonstrar alguma coisa, nem que seja simplesmente recordar.
Após minha reflexão geleical, creio que talvez eu perca o acanhamento que tenho ao dar presentes, a aversão que tenho a esse hábito, que me leva a combinar com o namorado de não faze-lo nas datas especiais. Agora vou começar a dar vazão à criatividade e dar presentes que expressem o que sinto, sem nenhum valor material (Até porque não recebo há dois meses), mas que gerem algo nas pessoas que recebem. (considerando a minha critividade, acho que vai gerar aversão nos presenteados... mas vou tentar me policiar).
Inclusive, vou começar a fazer uma lista de todo mundo que conheço, destacar sua característica mais marcante e começar a relacionar presentes possíveis pra essas pessoas. Prepare-se, você pode ser presenteado com algo inusitado a qualquer momento!